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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

a surpresa

As surpresas são isso mesmo …surpresas. Surgem onde menos as esperamos. Atrás de uma porta, na penumbra de um quarto, no calor de um abraço, … surgem e ... só as percebemos quando o assombro já tomou conta de nós e ...somos felizes...
A casa vermelha (Peniche)
foto: Cristina Henriques

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Feliz Aniversário!!!

foto: Cristina Henriques

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Poesia

foto: Cristina Henriques


Amo-te como um planeta de rotação difuso
E quero parar como o servo colado ao chão.
Frágil cerâmica de poros soprados no teu hálito
Vasilha que ergues em tua mão de oleiro
Cálice que não pudeste afastar de ti.

Daniel Faria, poesia

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A Teresa, o apartamento e os Tindersticks


Posso sentar-me aqui? Aqui, neste canto desta caixa postal? Quero ficar aqui. Escondida. (Aqui não me vão encontrar de certeza. Aqui nem eu me vou encontrar.) Não digas nada. Nem precisas de olhar para mim. Deixa. Se eu gritar não ligues, se soluçar de choro não olhes. Não te preocupes. Tudo passa. Que raio de dia. Eu sei que já te devia ter escrito. Eu sei exactamente o que tenho para te dizer. Digo depois. Musica. Põe qualquer coisa, mas alto. Põe Blur. song 2.Isso. Mas alto. Muito alto. Não quero ouvir o meu pensamento. Estou farta das das minhas ideias. A luz. Apaga. Comecei o dia com uma palmada na “Miss” Popcorn, devias ter visto a birra. Logo a seguir a “Miss” Mermaid perdeu os óculos. Porque perdem as pessoas os óculos? Eu também perco os óculos, mas eu sou eu, sou um despiste sempre pronto a acontecer. Mas isso agora não interessa nada, eu só não quero ouvir as minhas ideias… estão por todo o lado. Abafa-as. Estão espalhadas pela casa toda, na sala, na cozinha, até na lavandaria tenho ideias. A música? O que quiseres. Qualquer coisa. Escolhe. Não sei. Espera! Creep, dos Radiohead. Já tenho saudades. Andávamos a estudar e ouvíamos. Que bom. Lembro-me da Teresa que sofria de um síndrome anti apartamento. Nunca tinha vivido numa coisa daquelas, então resolvia arrumar o quarto, e muitas vezes a disposição dos móveis, às 4 ou 5 da manhã. Enquanto isso, ouvia Radiohead ou Tindersticks. A Teresa era uma querida. Tenho saudades dela. Tenho saudades de todos. Tenho saudades dos cheiros daquela altura. Muito bom. Saudades bonitas. Melhor. Já me sinto melhor, obrigada. É verdade, já ouviste o álbum do Thom Yorke? O Eraser? Está giro. Analyse é um tema que acho particularmente interessante. Deixa ouvir só um pouco, porque tenho de ir. Já estão à minha procura. Estão sempre à minha espera, eu é que penso que não. Ainda tenho de ir buscar a Popcorn e a Mermaid. Preciso daquele mimo que elas têm sempre para me dar. Sim. Podes acender a luz sim. Obrigada pelo abrigo.


Fica bem

Cristina

foto: Cristina Henriques

terça-feira, 4 de agosto de 2009

desvairada

Estou cansada, cada vez mais incompreendida e insatisfeita comigo, com a vida e com os outros. Diz-me, porque não nasci igual aos outros, sem dúvidas, sem desejos de impossível? E é isto que me traz sempre desvairada, incompatível com a vida que toda a gente vive...


Florbela Espanca

Nude over Vitebsk

Marc Chagall

Triste

Planalto das Cesaredas, 24 de Julho de 2009

Naquele dia fiquei triste. Mesmo triste. Triste. Triste. Eu não gosto nada da sensação de ficar triste. Nada mesmo. Por instantes fui até a "Uma casa na escuridão" de José Luis Peixoto: " perdi a consciência de mim, como se adormecesse muito lentamente, sempre a pensar quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer, quero morrer." Claro que esta agonia não foi provocada por ninguém. Sou eu. Sou sempre eu. Alimento-me do que não gosto. Agonia.


Aurora


foto: Cristina Henriques

Mensagem a Alex

Ar, 24 de Julho de 2009
Querido Alex
Finalmente!!!!!
Já não sabia o que pensar da tua ausência… mas enfim a resposta chegou. Não era a resposta que queria ouvir com certeza, mas nem sempre ouvimos o que gostamos e queremos. Há alturas em que lamento que me vejas dessa maneira, como uma espécie de predadora, mas eu entendo-te.

Beijo
Aurora

foto: Cristina Henriques

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Querido Alex

Onde estás? Não sei nada de ti há semanas, reconheço que esta ausência me começa a angustiar. Temos as nossas divergências, mas este teu silêncio mata-me. Por onde andas? Voltas-te para Paris? Às vezes imagino-te por lá, pelo Barrio Latino… como é doce o que imagino...
Alex, a Vi está verdadeiramente preocupada com este teu afastamento. Claro que não fala disso, mas eu sei que ficou a pensar naquela ida ao teatro contigo… aquilo deve de lhe ter saído num ataque de coragem impar.
Tenho tantas coisas para te contar, mas para isso preciso que voltes.

Beijo
Aurora
O Gato
Chagall

Nickolas Muray

Coyoacán, 31 de Maio de 1931

Nick,


Amo-te como a um anjo.
És um lírio do vale meu amor.
Nunca te esquecerei, nunca, nunca.
És a minha vida inteira.
Espero que disso nunca te esqueças.



Frida


Por favor, vem para o México, como me prometeste! Iremos juntos a Tehuantepec, em Agosto.


Frida Kahlo fotografada por Nickolas Muray


Nota: Nickolas Muray (Hungria, 1892 - Estados Unidos, 1965), fotógrafo, crítico de dança, aviador, campeão de esgrima, foi apresentado a Frida, no México, por Rosa Rolando e Miguel Covarrubias. A relação amorosa entre ambos tornou-se mais profunda quando Frida chegou a Nova Iorque para apresentar a sua primeira exposição individual em 1938.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

SAIR

por: Cristina Henriques


terça-feira, 7 de julho de 2009

Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?
Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?

José Saramago



foto: Luis Pereira

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O planalto v/s Nova Iorque

Reparei que afinal não é um rio que separa as nossas margens, é um oceano. Atlântico. Um poderoso Atlântico. De um lado uma extraordinária cidade. Um magnífico hotel. Um quarto. Um sereno fim de tarde após uma bela sessão de compras na quinta avenida. Do outro lado, a “cauda” da Europa. Um abandonado planalto. Uma humilde aldeia situada no coração de um maciço calcário com cerca de 140 milhões de anos. Milhares de quilómetros separam este modesto lugar e a sofisticada metrópole que se auto denomina como a capital do planeta. Não falo apenas da uma distância geográfica… de todo. Quando penso em todo este cenário, vejo opostos. Num dos pólos estás tu no país das “liberdades”, a viver um 4 de Julho ao vivo, algo que te remete para a história dos homens que tu tão bem conheces e gostas. No outro pólo, eu, rodeada pelo silêncio e frio do maciço. Tudo isto não passaria de uma banalidade se não fosse o facto de tu viveres numa cela… Podes estar em qualquer lado, na cidade mais desejada ou no meio da savana africana, em nada isso altera o teu estado e a tua condição de prisioneiro. Prisioneiro de ti mesmo. Estás enclausurado. Aqui, no planalto, não há ninguém. Há minha volta não há nada, apenas… a liberdade.


Aurora

foto: Cristina Henriques

domingo, 5 de julho de 2009

Eu continuo sem perceber porque te permito isto. Não entendo. Entras sem qualquer contrariedade e instalas-te. Teimo em deixar que me agridas, para que assim, me possa sentir ferida. Como se as feridas me fizessem estar mais perto de ti…Sinto o modo como chegas, como preparas a lança, como me rasgas a carne… até sentires os meus ossos. Sinto a dor. Sinto cada pedaço dessa dor atroz. Agonio no chão, mas não te mando embora. Não entendo. Como te disse, só um ser superior e omnisciente saberá porque te quero aqui. Não me incomoda o modo violento como estás comigo, importa-me a tua presença. Quero-te aqui agora, neste momento. Mas... há sempre um fim para tudo. Para tudo. Um dia, eu não vou estar mais à tua espera. Um dia chegas e eu não te permito mais a agressão. Nesse mesmo dia, serás tu a sentir o poder da lança na tua pele.

Com amor
Aurora

La Columna Rota

Frida Kahlo

sexta-feira, 26 de junho de 2009

sempre o abismo

É incrível como ainda me alimentas. Como ainda despertas em mim a imaginação que teima adormecer. Incrível. Tu és, de facto, o meu abismo. Chego a pensar que nunca subi a falésia, que tudo não passou de uma ilusão e que eu ainda estou lá em baixo. A ti, já não te vejo... a tua fuga foi rápida e silenciosa. Às vezes penso que foi minha a opção de ter ficado no abismo...habituei-me à ilusão da tua presença e é essa ilusão que me alimenta.


Aurora

foto: Cristina Henriques

segunda-feira, 8 de junho de 2009

BAD NEWS

Não me lembro muito bem do que estava lá escrito, não me pareceu relevante. Bastou-me olhar e ler “más notícias” escrito numa língua anglo saxónica. Vertiginosamente pensei em no surprises, da qual curiosamente tínhamos falado no dia anterior. Para mim não existem surpresas, no entanto não tinha um plano B. Eu tenho sempre um plano B, por que raio não tinha um plano B? E que faço eu aos morangos que apanhei no quintal? Respira. Pensa: nada de surpresas. Respira novamente. Insisto nos Radiohead e nas palavras de Yorke: Um emprego que te mata; feridas que não vão cicatrizar; Um aperto de mão de monóxido de carbono; Vou levar uma vida tranquila; Sem alarmes e sem surpresas; Silêncio; Este é o meu último ataque, a minha última dor de barriga; Sem alarmes e sem surpresas; Sem alarmes e sem surpresas, por favor (deixa-me sair daqui); assim como uma linda casa; assim como um lindo jardim; Sem alarmes e sem surpresas; Sem alarmes e sem surpresas, por favor (deixa-me sair daqui). Entendo. É magnífica a melodia, mas… deixa-me sair.

Aurora

foto: Cristina Henriques

terça-feira, 2 de junho de 2009

Morreste outra vez

Finalmente, tiveste o teu ataque cardíaco. E eis-me aqui, neste quarto escuro e silencioso: sozinha.
Sei que gostarias de ter feito amor comigo, de te aliviar em mim; mas venceu-te a preguiça ou o cansaço ou o tédio; deixaste-te adormecer, enquanto eu ia adiando (…). Adiando, que é a minha forma de viver.
Apago a luz da casa de banho, fecho a porta para que não me persiga o cheiro das tuas botas, das tuas peúgas, dos teus pés, da tua carne. E vejo-te assim: tão estático e imóvel e hirto e imperturbável que só podes estar morto. Aproximo-me devagar, não sou capaz de te tocar. Não quero tocar-te. Sento-me na ponta da nossa cama, perto de ti; se quisesses, se pudesses, esticarias a mão, tocar-me-ias na perna, tentarias excitar-me, (…); mas não te moves. E eu concentro-me no esforço de não te olhar, de te esquecer. Tento distrair-me.


Gastar palavras
Paulo Kellerman

foto por: Cristina Henriques

sábado, 30 de maio de 2009

Feliz na fuga


Pela Madrugada já não te encontro, não estou mais lá. Fugi. Li tudo o que escreves-te. Tudo. Cada frase, cada palavra, cada sílaba. Queria escrever-te palavras bonitas como tu o fazes, mas não sou capaz. Não sou assim.
Icaro (coleccção Jazz)
Henri Matisse
Sabia que estávamos longe. Muito longe. Desde o início que senti que um dia te ia largar a mão. Acabaria por sucumbir à minha natureza errante. Sabia que iria fugir. É na fuga que sou feliz…
Violeta

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Querido Alex

Espero que estejas bem.
Não sei o que te dizer. Sei que te magoei, não o devia ter feito. Não sei porque o fiz, devo ter um lado oculto dentro de mim que teima em magoar os que mais me amam. Outrora devo ter feito uma parceria com Sade.
Sei que estives-te sempre a meu lado, querido Alex. Por isso, deixo-te aqui as minhas mais sinceras desculpas de algo que é indesculpável.
A Cristina é que tem razão, está sempre a dizer que não entende como ainda me toleras.... querido Alex

Um beijo

Aurora

The Grid

Pedro Cabrita Reis

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Demasiado tempo

“Quatro horas é muito tempo na vida de uma rapariga. Isto foi o que o meu amigo me disse quando lhe contei que ela me tinha telefonado para dizer que segunda-feira tinha tempo para estar comigo, e eu lhe perguntara quanto, e ela tinha respondido o suficiente, e eu tinha dito pelo menos quatro horas, e ela disse que não podia, que era demasiado tempo.”

Pedro Paixão

Prazer

Até a recordação da sorte tem as suas amarguras e a recordação dos prazeres a sua dor.

Oscar Wilde

por: Cristina Henriques