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segunda-feira, 1 de março de 2010

ashtray heart

Por: Cristina Henriques

Por aqui impera há dias a imagem das raparigas cinzeiro. (“-Cenicero…”) Cinzeiro, simultâneos depósitos de dor (É pá! Alguém cala esse fulano?...) e prazer. Como podem ter prazer na dor que as queimaduras lhes provocam. (“-Cenicero…”) Como suportam o rasgar (Outra vez?) dos músculos do peito? Como podem gritar de agrado? Como pode alguém transportar um peito… um coração… um cinzeiro? (“-mi corazón de cenicero”) Às vezes (Calem-no!!!) tenho a resposta, confesso. Silvano, um amigo meu, perguntou-me se andava a desenhar, neguei. Menti-lhe. Desenhei, mas a paleta utilizada era atroz, por isso menti. Negros, roxos, castanhos, cores rosadas de carne viva pronta a ser queimada… pareciam saídos do mundo de Francis Bacon… Silvano acabou por me enviar uma peça clássica para me colorir um pouco, mas eu ando às voltas com a metáfora do cinzeiro … e isso não é bom. Penso. Quantas vezes vimos a nossa carne (“-Cenicero…”) queimada? (Voltou outra vez…) Os nossos músculos trespassados? Quantas vezes já gritámos de dor? Quantas (“-Cenicero…”) vezes nos deitamos (Vou desistir, ele que fale, que cante…“-mi corazón de cenicero”) em camas frescas e limpas e as transformamos em lençóis de sangue? Há tantas maneiras de ser cinzeiro (“-Cenicero, cenicero, mi corazón de cenicero…” )…tantas. (Deixa… ele que diga… que é um coração cinzeiro) Mais doloroso será pois um coração queimado uma quantidade de vezes, sem uma cicatriz sequer… a pele, os músculos rasgados sem uma única cesura… os lençóis brancos e frescos ainda que depois de uma bárbara tortura… Porque me deixo queimar? O que me atrai nestes episódios sinistros e violentos que depois de vividos estão em perfeita harmonia com o fascinante e o belo? Penso… “Cenicero, cenicero, mi corazón de cenicero…”

Aurora

sábado, 20 de fevereiro de 2010

This Picture...porque hoje é 20 de Fevereiro

I hold an image of the ashtray girl
Of cigarette burns on my chest
I wrote a poem that described her world
And put our friendship to the test
And late at night
Whilst on all fours
She used to watch me kiss the floor
What's wrong with this picture?
What's wrong with this picture?

Farewell the ashtray girl
Forbidden snowflake
Beware this troubled world
Watch out for earthquakes
Goodbye to open sores
To broken semaphore
You know we miss her
We miss her picture

Sometimes it's fated
(We) Disintegrated it
For fear of growing old
Sometimes it's fated
(We) Assassinated it
For fear of growing old

Farewell the ashtray girl
Angelic fruitcake
Beware this troubled world
Control your intake
Goodbye to open sores
Goodbye and furthermore
You know we miss her
We miss her picture

Sometimes it's fated
(We) Disintegrated it
For fear of growing old
Sometimes it's fated
(We) Assassinated it
For fear of growing old

Hang on
Though we try
It's gone
Hang on
Though we try
It's gone

Sometimes it's fated
(We) Disintegrated it
For fear of growing old
Sometimes it's fated
(We) Assassinated it
For fear of growing old
Can't stop growing old...


* "This picture"
Placebo (Sleeping with ghosts)



Foto: Neusa Índio